Renda Extra Cesta básica já compromete mais da metade do novo salário mínimo

Cesta básica já compromete mais da metade do novo salário mínimo

Para comprar os alimentos básicos em janeiro, o trabalhador gastou 55,20% do piso, mesmo após aumento para R$ 1.212  

  • Renda Extra | Do R7

O salário mínimo ideal deveria equivaler a R$ 5.997,14, segundo o Dieese

O salário mínimo ideal deveria equivaler a R$ 5.997,14, segundo o Dieese

EMERSON NOGUEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO-22/09/2021

O trabalhador que recebe um salário mínimo comprometeu em média, em janeiro de 2022, mais da metade (55,20%) do rendimento para comprar a cesta básica, mesmo com o reajuste de
10,18%, que elevou o piso nacional de R$ 1.100 para R$ 1.212, no começo deste ano. No caso de São Paulo, que tem a cesta básica mais cara do país, de R$ R$ 713,86, o comprometimento da renda chegou a 63,27%.

É o que mostra a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que analisa o valor dos produtos básicos em 17 capitais e compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social.

Em 2021, quando o salário mínimo era de R$ 1.100,00, o percentual que comprometia a remuneração foi de 58,91%, em dezembro, e de 54,93%, em janeiro. Em São Paulo, o percentual em 2021 foi de 67,86%, em dezembro, e de 64,29%, em janeiro.

Salário ideal

O Dieese também calcula qual seria o salário mínimo ideal para a manutenção de uma família de quatro pessoas. Em janeiro de 2022, deveria equivaler a R$ 5.997,14. O valor é 4,95 vezes o mínimo de R$ 1.212. Em dezembro de 2021, quando o piso nacional equivalia a R$ 1.100, o mínimo necessário calculado pelo Dieese ficou em R$ 5.800,98 ou 5,27 vezes o piso em vigor e, em janeiro, em R$ 5.495,52, ou cinco vezes o valor vigente.

A pesquisa mostrou ainda que, em janeiro de 2022, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 112 horas e 20 minutos. Em dezembro de 2021, a jornada necessária foi calculada em 119 horas e 53 minutos e, em janeiro do mesmo ano, a média foi de 111 horas e 46 minutos.

Confira o ranking da cesta básica

Reprodução/Dieese

A capital paulista, que lidera o ranking da cesta mais cara, de R$ 713,86, é seguida de Florianópolis (R$ 695,59), Rio de Janeiro (R$ 692,83), Vitória (R$ 677,54) e Porto Alegre (R$ 673). Entre as cidades do Norte e do Nordeste, que têm uma composição da cesta diferente, o custo mais baixo foi observado em Aracaju, cujo valor ficou em R$ 507,82; João pessoa, R$ 538,65; e Salvador, 540,01.

A pesquisa também constatou que em janeiro deste ano houve aumento em 16 capitais. Brasília  (6,36%),  Aracaju  (6,23%),  João  Pessoa  (5,45%), Fortaleza  (4,89%)  e  Goiânia  (4,63%) tiveram as altas mais expressivas na variação mensal.

Entre os destaques no levantamento deste mês, o preço do quilo do café em pó subiu em todas as capitais analisadas na comparação com dezembro. Segundo o Dieese, “a expectativa de quebra da safra 2022/2023 e os menores estoques globais de café elevaram tanto os preços internacionais quanto os preços internos”.

O açúcar também ficou em destaque, com o valor do quilo mais alto em 15 capitais. Em Brasília, o custo do produto ficou 4,66% mais alto. Apenas Florianópolis e Porto Alegre tiveram queda, de 1,09% e 0,22%, respectivamente. A entressafra é a justificativa para o aumento dos preços.

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