Renda Extra Dólar fecha estável, a R$ 5,07, com aversão a risco gerado pela guerra

Dólar fecha estável, a R$ 5,07, com aversão a risco gerado pela guerra

 Ao longo do dia, o dólar oscilou entre R$ 5,0290 na mínima (-0,97%) e R$ 5,0951 na máxima (+0,33%)

Reuters
A moeda americana encerrou o pregão com variação positiva de 0,02%, a R$ 5,0795

A moeda americana encerrou o pregão com variação positiva de 0,02%, a R$ 5,0795

Marcello Casal JrAgência Brasil - 24.04.2019

O dólar fechou perto da estabilidade ante o real nesta segunda-feira (7), bem longe de mínimas abaixo de R$ 5,03, atingidas durante a sessão, com a aversão global ao risco provocado pela guerra na Ucrânia ofuscando o impulso que a disparada das commodities tem fornecido à moeda brasileira.

A moeda americana à vista encerrou o pregão com variação positiva de 0,02%, a R$ 5,0795 na venda. Ao longo do dia, o dólar oscilou entre R$ 5,0290 na mínima (-0,97%) e R$ 5,0951 na máxima (+0,33%).

Os mercados globais sofreram piora generalizada na tarde desta segunda-feira, com os principais índices de Wall Street caindo mais de 2% em meio a temores de que a disparada do preço do petróleo levará a uma inflação mais aquecida e à desaceleração do crescimento ao redor do mundo. Enquanto isso, o índice do dólar contra uma cesta de rivais fortes avançava 0,36%.

Depois de notícias de que Estados Unidos e aliados estavam considerando proibir a importação de petróleo da Rússia, o preço da commodity do tipo Brent chegou a superar os US$ 139 o barril nesta segunda-feira.

A disparada dessa e de outras commodities, como trigo, milho, soja e metais, tem sido apontada por especialistas como fator de impulso para moedas de países exportadores, como o Brasil, já que os preços mais altos tendem a elevar o fluxo de dólares para o mercado local.

Apesar da tímida valorização desta sessão, o dólar acumula queda de 8,9% ante o real em 2022, com a divisa brasileira ostentando o melhor desempenho no ano entre uma cesta de mais de 30 pares de todo o mundo.

"Por um lado, o fluxo estrangeiro e o diferencial de juros com a economia americana favorecem a apreciação do real", disse a Santander Asset em relatório. Enquanto a taxa Selic está atualmente em 10,75% ao ano, os juros básicos nos Estados Unidos seguem em intervalo próximo de zero.

"Por outro, a retirada de estímulos monetários globais, as tensões geopolíticas no exterior e as incertezas de natureza fiscal no âmbito local" podem ser empecilhos para o desempenho da divisa brasileira, afirmou a Santander Asset.

Temores sobre a saúde das contas públicas relacionados a dois projetos em tramitação no Senado que visam reduzir o custo dos combustíveis têm crescido em meio à disparada do custo do petróleo no mercado internacional, que está agora bem acima dos preços fixados pela Petrobras.

Com a pressão pela alta dos preços domésticos aumentando, "políticos (tanto do Congresso quanto do governo) têm falado cada vez mais sobre a possibilidade de aprovação de um programa de subsídio", destacaram em relatório estrategistas do Citi.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira que o governo federal prepara medidas para combater a alta do preço dos combustíveis e afirmou que a paridade entre o valor do barril do petróleo no mercado internacional e o preço dos combustíveis praticado nas bombas dos postos no Brasil "não pode continuar".

Embora haja incerteza sobre os detalhes de tais medidas no momento, "algum tipo de flexibilização fiscal nessa frente está se tornando cada vez mais provável", alertou o Citi.

O receio fiscal doméstico foi apontado como um dos grandes responsáveis pela alta de mais de 7% registrada pelo dólar ante o real em 2021. No fim do ano passado, investidores receberam com pessimismo a aprovação da PEC dos Precatórios, que alterou a regra do teto de gastos, considerado a principal âncora para as despesas públicas.

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