Renda Extra Inadimplência cresce pela primeira vez em oito meses, mostra BC

Inadimplência cresce pela primeira vez em oito meses, mostra BC

Endividamento das famílias bateu novo recorde em novembro, chegando a 51,9%, segundo dados do Banco Central

Reuters
Indicador de inadimplência passou de 2,3%, em dezembro, para 2,5%, em janeiro

Indicador de inadimplência passou de 2,3%, em dezembro, para 2,5%, em janeiro

Adriano Machado/Reuters

A inadimplência aumentou pela primeira vez em oito meses em meio a alta do custo dos empréstimos, mostrou relatório do Banco Central divulgado nesta quinta-feira (24). O estoque total de crédito no Brasil começou o ano em estabilidade, desempenho que a autarquia apontou como natural para janeiro.

As taxas cobradas pelos bancos dos tomadores de empréstimo têm aumentado continuamente ao longo do último ano, acompanhando a alta da taxa Selic pelo BC, mas a inadimplência não vinha mostrando alteração. Em janeiro, esse indicador aumentou para 2,5%, de 2,3% em dezembro, na primeira alta desde maio do ano passado.

Considerando apenas o crédito livre, em que as taxas são pactuadas sem a interferência do governo, a inadimplência também aumentou 0,2 ponto percentual, para 3,3%, o primeiro acréscimo desde novembro.

O chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, ponderou que, apesar das variações, as taxas de inadimplência seguem "extremamente baixas". "Isso é um primeiro aumento depois de vários meses estáveis; a gente não sabe se isso é um ponto ou alguma reversão de trajetória", afirmou.

Os dados do BC mostraram, ainda, que o endividamento das famílias bateu novo recorde em novembro, chegando a 51,9%, de 51,2% em outubro. O dado compara o saldo das dívidas das famílias com a renda acumulada em 12 meses, informação fornecida pelo IBGE com defasagem. Já o comprometimento da renda com o pagamento do serviço da dívida ficou estável em 27,9%.

Saldo do crédito

O saldo do crédito ficou em R$ 4,671 trilhões no mês passado, correspondente a 53,3% do PIB (Produto Interno Bruto), estável na comparação com dezembro.

No período, o crédito para as empresas caiu 1,5%, refletindo queda sazonal da demanda por linhas como desconto de duplicata e antecipação de fatura de cartão, com maior peso. Já o crédito às famílias aumentou 1%, mesmo com a nova alta da taxa média de juros, que chegou a 29,5% para as pessoas físicas, ante 28,6% no mês anterior.

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