Renda Extra Saiba por que a Bolsa brasileira sobe, mesmo com conflito mundial

Saiba por que a Bolsa brasileira sobe, mesmo com conflito mundial

Para especialistas, investidores, principalmente estrangeiros, têm aproveitado as oportunidades no mercado

Agência Estado
Ibovespa estava na casa dos 113 mil pontos, em alta de pouco mais de 1%

Ibovespa estava na casa dos 113 mil pontos, em alta de pouco mais de 1%

Amanda Perobelli/Reuters

Crises internacionais, como a atual que envolve a Rússia e a Ucrânia, costumam levar a grandes volatilidades no mercado financeiro, com quedas nas Bolsas de Valores. Mas não é o que tem sido visto no Brasil.

O Ibovespa, o principal índice da B3, começou o ano abaixo dos 105 mil pontos. Chegou à casa dos 102 mil, no início de janeiro. Mas, depois disso, engatou uma sequência de altas: nesta terça-feira (22), o índice estava na casa dos 113 mil pontos, em alta de pouco mais de 1% às 13h, apesar de toda a confusão no Leste Europeu.

Uma das principais explicações para esse desempenho é o investidor estrangeiro, que vem fazendo uma aposta forte na Bolsa brasileira. No acumulado do ano até o dia 18 de fevereiro, o saldo da entrada de capital externo na B3 já chega a R$ 55 bilhões, em todo o ano passado, esse saldo foi de R$ 70 bilhões, um número recorde.

Para especialistas, esse dinheiro de fora tem vindo atrás de "pechinchas" na Bolsa. A avaliação é que as empresas brasileiras perderam muito valor nos últimos anos, em meio às crises que se sucedem na economia do país. "O Brasil está com performance ruim há mais de uma década", disse Carlos Carvalho Junior, sócio-fundador da Kínitro Capital.

Para o economista-chefe da Trafalgar Investimentos, Guilherme Loureiro, o que explica esse panorama é o fato de as Bolsas americanas estarem caras, as europeias com risco elevado em razão do conflito entre Rússia e Ucrânia e a chinesa ainda sofrendo com a crise do setor imobiliário.

Um ponto importante favorável à Bolsa brasileira é o fato de ter grandes empresas de commodities entre as maiores blue chips. A Petrobras tem se beneficiado do preço do petróleo em alta (nesta terça-feira, o barril do brent aproximava-se dos US$ 100). O minério tem tido um desempenho positivo também, beneficiando diretamente a Vale; apesar de o preço ter recuado neste mês, ainda acumula alta de mais de 12% no ano. 

Para Carvalho Junior, além do bom momento para as commodities, há também um pessimismo com companhias de tecnologia. Isso porque esse setor trabalha com prazos longos e projetos de maior risco. Assim, os investidores costumam dar aval para essas empresas quando não há perspectiva de elevação na taxa de juros, isto é, quando sabem que o dinheiro não vai ficar mais caro, o que não é o caso agora. O momento hoje é de apostar em segmentos mais tradicionais, como os brasileiros, diz.

Segundo Guilherme Loureiro, os investimentos aqui têm sido mais uma decisão tática diante de um cenário global complexo. “É uma janela de oportunidade.” Para ele, a calmaria no mercado doméstico deve ir até maio, quando as discussões sobre a agenda econômica do próximo governo entrarão em pauta.

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